Quando o Idadismo Encontra o Estigma: O Exemplo das Demências

 


Envelhecimento,
Saúde Cerebral e Sociedade

Quando o idadismo encontra o estigma:
o exemplo das demências

Com o envelhecimento da população, as doenças que são comuns no envelhecimento podem aparecer com mais frequência. Dentre essas doenças estão as demências, que são síndromes caracterizadas por um declínio cognitivo progressivo que afeta funções como memória, atenção, linguagem, planejamento e comportamento, interferindo diretamente na autonomia e nas atividades do dia a dia das pessoas.

Esse declínio vai além das mudanças esperadas do envelhecimento e tende a se agravar ao longo do tempo, podendo impactar significativamente a vida social e funcional. É importante destacar que “demência” não corresponde a uma única doença, mas a um termo abrangente que engloba diferentes condições, como a doença de Alzheimer, a demência vascular, a demência frontotemporal e outras, cada uma com características e evoluções específicas.

Quando o idadismo se cruza com o estigma contra a demência, seus efeitos tendem a se intensificar. As pessoas que vivem com demência frequentemente enfrentam uma dupla camada de preconceito: por um lado, os estereótipos associados ao envelhecimento e, por outro, as ideias negativas, equivocadas e estigmatizantes relacionadas às alterações cognitivas. Essa combinação pode levar à desvalorização da pessoa, à perda de autonomia nas decisões e à exclusão social.

Pirâmide etária da população residente no Brasil

O estigma das demências está frequentemente associado à visão de incapacidade total, perda de identidade e ausência de possibilidades de participação social. No entanto, essas percepções não refletem a complexidade da condição nem a diversidade de experiências das pessoas que vivem com demência. Muitas vezes, mesmo diante de alterações cognitivas, essas pessoas mantêm capacidades, emoções, vínculos afetivos e possibilidades de interação que precisam ser reconhecidas e respeitadas.

No contexto do idadismo, há uma tendência de naturalizar sintomas cognitivos como “coisas da idade”, o que pode atrasar o diagnóstico e dificultar o acesso a cuidados adequados. Ao mesmo tempo, quando o diagnóstico é estabelecido, pode ocorrer o movimento oposto: a pessoa passa a ser vista exclusivamente pela doença, tendo suas capacidades ignoradas. Esse processo contribui para a desumanização, reduzindo a pessoa à sua condição clínica e limitando sua participação social.

Na escola e na sociedade, esse fenômeno também se reflete na forma como as demências são abordadas, muitas vezes com medo, desconhecimento ou silêncio. A falta de informação contribui para a manutenção do estigma e dificulta o desenvolvimento de atitudes empáticas e inclusivas. Por outro lado, quando há educação sobre o tema, abre-se espaço para a compreensão, o respeito e a valorização das pessoas que vivem com demência.

Enfrentar a intersecção entre idadismo e estigma das demências exige uma mudança de perspectiva. É necessário reconhecer a pessoa para além do diagnóstico, utilizar uma linguagem respeitosa e promover ambientes que favoreçam a inclusão, a escuta e a participação. A escola, nesse contexto, tem um papel fundamental ao abordar o tema de forma sensível e informada, contribuindo para a formação de uma sociedade mais consciente, capaz de acolher a diversidade do envelhecimento e das condições cognitivas com dignidade.

Para saber mais

Esses conteúdos detalhados podem ser encontrados no curso de formação de professores “EnvelheCiência: Formação para Educadores no Tema do Envelhecimento e das Demências”. Esse curso está disponível, de forma totalmente gratuita, no Portal de Cursos Abertos (PoCA) da Universidade Federal de São Carlos: www.poca.ufscar.br. Ao acessar o site, busque por “EnvelheCiência” na aba de buscas.

veja esse video

Maria Inês, que vive com doença de Alzheimer, compartilha sua experiência com o diagnóstico, as estratégias que adota para lidar com a condição e uma mensagem inspiradora de otimismo e resiliência. O tempo total do vídeo é de 06:41 minutos. Clique aqui para acessar a transcrição deste vídeo.

Bibliografia

PARMERA, J. B.; NITRINI, R. Demências: da investigação ao diagnóstico. Revista de Medicina, v. 94, n. 3, p. 179, 21 dez. 2015. Disponível em: https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v94i3p179-184 . Acesso em: 06 abr. 2026.

SUEMOTO, C. K.; MUKADAM, N.; BRUCKI, S. M. D.; CARAMELLI, P.; NITRINI, R.; LAKS, J.; LIVINGSTON, G.; FERRI, C. P. Fatores de risco para demência no Brasil: diferenças por região e raça. Alzheimers Dement, v. 19, n. 5, p. 1849-1857, maio 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1002/alz.12820 . Acesso em: 06 abr. 2026.

OLIVEIRA, D. et al. Reduzindo o estigma e a discriminação relacionados à demência entre agentes comunitários de saúde no Brasil: protocolo para um ensaio clínico randomizado de viabilidade. BMJ Open, v. 12, n. 7, p. e060033, 19 jul. 2022. Disponível em: https://bmjopen.bmj.com/content/12/7/e060033.long . Acesso em: 06 abr. 2026.


Material complementar

Baixe a cartilha educativa da Turma da Mônica e tenha acesso a um material informativo, lúdico e educativo sobre as demências . Em uma iniciativa especial de conscientização, os personagens se vestem de lilás, cor símbolo da campanha sobre o Alzheimer, para abordar, de forma acessível e sensível, temas como sinais de alerta, diagnóstico precoce, fatores de prevenção, possibilidades de tratamento e a importância do apoio familiar e social. A cartilha reforça que, com informação, cuidado e acompanhamento adequado, é possível promover qualidade de vida para as pessoas que vivem com demência e seus familiares.

Imagem da Turma da Mônica juntos a um senhor e uma senhora idosa
E-book

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